sexta-feira, 28 de maio de 2010

Combates em Massa

Qual narrador (e jogador) nunca ao menos imaginou uma campanha em torno de uma grande guerra? Quantos desses não imaginaram controlar um grande heroi no comando de tropas e mais tropas, exércitos inteiros, e contar grandes historias no caminho? E desses últimos, quantos não esbarraram no sistema que utilizavam, se perdendo em uma diversidade de adaptações ou mesmo desistindo da ideia por causa disso?

O RPG nasceu dos wargames, jogos táticos de tabuleiro, onde um jogador controla vários soldadinhos de plástico ou metal dispostos em uma mesa, do mesmo modo que um general controla seus soldados no campo de batalha. De um certo ponto de vista esses jogos são bastante semelhantes ao RPG, usam sistemas de regras complicadas, dados para gerar possibilidades aleatórias e vieram dos wargames muitos termos típicos do jargão do RPG, como "rolagem", "teste", "dano" e "d6".

Por outro ponto de vista, eles são completamente diferentes, afinal, wargames não focam na interpretação de generais ou em contar historias verossímeis (não tanto quanto os RPGs), para muitos "wargamers" uma partida não é muito diferente de um joguinho de "banco imobiliário" ou "canastra", isso é, um jogo qualquer para se divertir um pouco.

Porem eu estava pensando: e se um wargame oferecesse essa oportunidade a um jogador? Não apenas criar táticas e comandar exércitos, mas também contar historias ao longo de grandes campanhas, enxergando seu personagem (criado da mesma forma que um personagem de RPG, com passado, motivações e personalidade) crescer e comandar mais soldados de maior qualidade ao longo de muitos combates?

Baseado nisso nasceu uma idéia que pretendo desenvolver no futuro, um RPWG - Role Playing War Game, um jogo no qual os jogadores poderão criar e encarnar sargentos no comando de pequenas tropas, adquirindo experiência e seguidores, desenvolvendo diferentes táticas e usos para diferentes unidades, substituindo o típico combate do RPG por grandes combates de larga escala e contando historias de grandes campanhas militares, seja como uma equipe de sargentos sob o comando de um mesmo general ou como diversos generais tentando conquistar um grande continente.

Postarei mais sobre isso em um futuro próximo, e gostaria da opinião dos interessados num sistema desse tipo. Já avisando: as bases do sistema vão ter muito de Warhammer 40k, e focarão principalmente no combate entre pequenos esquadrões de soldados (mas apresentara modos de adaptação a combates de larga escala).

domingo, 23 de maio de 2010

Monstros e a 4° Edição

Tah, eu sei, a 4° edição não é mais novidade, ela já foi até lançada no Brasil (o que em alguns lugares, representa atestado de antiguidade) e todo mundo já cansou de discutir se ela é boa, má, caótica, leal, ou só um MMORPG de papel.
Mesmo assim, existe uma coisa na 4° que eu não gostei, exato, apenas uma, um detalhe que pra mim faz toda a diferença: o Livro dos Monstros. Desde de o 3.0 os jogadores de D&D sofreram com uma enxugada na paginas do LdM, apesar de gravuras modernas, monstros cortados e regras pra lá de superiores, a 3.0 trouxe um LdM com descrições de monstros reduzidas.
Onde na segunda edição você enchergava uma pagina inteira de habitos e comportamento, na 3.0 tudo o que você tinha era uma descrição fajuta da aparencia do monstro, e mais abaixo uma noção rapida e basica do comportamento do bixinho. Muitos jogadores pensaram que não podia piorar, mas pro azar deles, piorou.
Na quarta edição, monstros não tem mais cultura, não tem mais comportamento, não tem mais motivações, eles são monstros de video game: tem aparência, descrita em detalhes nas gravuras do LdM, "stats" apresentados na linda e vistosa ficha/tabela na mesma ou na proxima pagina e programação, descrita superficialmente na parte "taticas", naquele testinho minusculo embaixo da ficha. Bola Fora.

Ah, mas quem precisa de uma descrição completa do monstro e seus habitos? Todos nos sabemos oque é um goblin e como ele se comporta, e se for o caso, temos isso nos livros antigos, não é? Na verdade, não. A 4° não é voltada para os jogadores antigos de D&D, ela tem como objetivo capturar uma nova gama de jogadores, mais jovens e inexperientes, que as vezes nem ouviram falar de RPG.
Esses jogadores novos não conhecem as caracteristicas de cada monstro, não sabem o que é um goblin e não sabem que kobolds normamente não seguem carreiras mais intelectuais, como a de mago. Para eles, goblins e kobolds são a mesma coisa: aqueles monstrinhos de nivel baixo, que andam com besouros de fogo e servem pra gente "ganhar XP" do 1° ao 3° nivel.

O problema da 4° edição não são as regras de MMORPG, pois essas são boas, são equilibradas e divertidas. O problema da 4° edição é a falta de background, para tudo e para todos. Embora eu tenha visto pela primeira vez descrições de pagina interia para raças, apenas nessa edição.

Bem Vindo e Aproveite

Jogo RPG desde uns 13 anos de idade, narrei pela primeira vez aos 15. Experimentei diversos sistemas diferentes tanto como jogador quanto narrador, e falhei problematicamente em muitos deles.
Sou um narrador liberal, deixo os jogadores fazerem relativamente o que querem, usando as regras mais como “guias” do que como... regras. Em contrapartida, dobro as regras como bem entendo quando bem entendo. Por causa disso, meus grupos nunca costumaram durar muito, sempre com algum advogado de regras reclamando do “goblin com ficha de orc”, ou algo do tipo.
Também sou um narrador que gosta de planejar campanhas de longo prazo, mas que nunca conseguiu seguir uma “campanha” alem da 4° seção, isso quer dizer: nunca consegui fazer o grupo descobrir sobre a invasão dos demônios da 20° dimensão, e conhecerem o poderoso príncipe das trevas que vinha manipulando todos os inimigos dos PCs desde a primeira aventura.
Fazer o que? Nasci com o talento para historias épicas, mas não com o talento para narrá-las. Então, como um narrador fracassado, mas com boas idéias para grandes jogos, resolvi dividir algumas dessas idéias com quem estiver interessado, e aproveitar para falar um pouquinho de RPG nas horas vagas.
Então, sinta-se a vontade para copiar o que achar interessante por estas paginas de manuscritos, e de descartar qualquer coisa que considerar sem graça ou dispensável. Minha idéia aqui é dividir boas narrativas ou inspirar boas seções de jogo, e espero que todos se divirtam nessa brincadeira toda.